Pessoalidade Fotográfica

e os processos de criação do fotolivro "Belo Horizonte"

Página do diário com esboços de ideias e caminhos para o desenvolvimento do projeto. Belo Horizonte, setembro de 2019.

“Belo Horizonte” surgiu da vontade de compreender os meus processos criativos e produtivos na fotografia. Na infância tive a oportunidade de aprender a tocar alguns instrumentos musicais. Hoje, mesmo me considerando um músico frustrado, considero que essa forma de linguagem é uma das principais fontes de conexão pessoal e com o que há do lado de fora da "janela", para os processos criativos do meu trabalho fotográfico.

Desde que comecei a fotografar, no final de 2014, costumo me questionar sobre as motivações de se criar um trabalho fotográfico. Costumo pensar sobre a essência desse "fazer" e sobre a simples prática de um ofício que, antes de qualquer outra coisa, acredito que tenha significados e razões pessoais para ser realizado. São questões que me fazem refletir sobre o que chamo de "pessoalidade fotográfica”.

Essa caminhada me apresentou alguns nomes e referências. Em 2017 comecei a pesquisar outros trabalhos e passei a rabiscar os primeiros esboços de um projeto. Foi no legado de Sergio Larrain, o “fotógrafo vagabundo” - assim chamado por seu amigo e conterrâneo Pablo Neruda, que comecei a encontrar alguns desses caminhos.

Fotografias de Sergio Larrain.

Magnum Photos

Cópia da carta de Sergio Larrain para o seu sobrinho, Sebastian Donoso, de 1982. Imagem do livro "Sergio Larrain", de Agnés Sire e Gonzalo Leiva Quijada. 

A principal inspiração no trabalho de Sergio foi uma das cartas que trocou com o seu sobrinho Sebastián Donoso. Nela, o fotógrafo descreveu como começar a fotografar. Meu primeiro contato com a carta foi por meio de um grande amigo, me revelando novas perspectivas sobre o fazer fotográfico.

Além dos estudos, a música foi outro guia para este trabalho. Ela foi a segunda companheira para os processos, proporcionando outros níveis de compreensão sobre aquilo que estava propondo e me inspirou a criar uma lista musical no Spotify, dedicada ao projeto. Consegui criar uma conexão pessoal entre as referências musicais e fotográficas que moldaram o conceito proposto.

A lista possui músicas tipicamente belo-horizontinas, com a presença marcante de Milton Nascimento, Lô Borges e outras obras e canções do Clube da Esquina. Outras canções brasileiras que tanto costumo ouvir, influências herdadas dos meus pais; músicas que se conectam com a fotografia de Sergio e com o espírito latino do seu trabalho; e influências pinkfloydianas que resume uma das seções do livro.

Capas dos principais discos que influenciaram na criação do fotolivro "Belo Horizonte".

Belo Horizonte, julho de 2020.

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